quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Um quarto sem porta

Meu quarto não tem porta e eu sei que isso não é um grande problema. Tem gente que não tem nem mesmo um quarto. Antes um quarto sem porta do que uma porta sem quarto.

Um dos pequenos problemas de um quarto sem porta é que nunca há escuridão total. Sim, eu sei que pra muitos isso não é um problema. É bom ter uma certa luz pra saber onde está o copo d'água, o interruptor, a porta.

Pra que meu quarto fique totalmente escuro é necessário que todas as janelas da casa estejam cobertas por grossas cortinas. Não tem cortina na janela do banheiro, então é necessário fechar a porta. Mas sempre passa uma um pouco de luminosidade pela fresta da parte superior e inferior da porta do banheiro.

Um sono que demora não é um problema.

Todas as manhãs são uma tortura. Meu descanso nunca é pleno, e por enrolar demais na cama, tenho que levantar e tomar café imediatamente. E eu não gosto de tomar café tão cedo. Mas isso não é um problema. Muitas pessoas não têm o que comer pela manhã.

Um despertador que não desperta é um grande problema.

E depois do café e do banho, segue-se o dia. E no fim, fico cansado, me deito. Não consigo dormir. Meu quarto não tem porta e a janela do banheiro não tem cortina. Sempre entra uma luminosidade que vem do poste da rua, que passa pela fresta da parte superior e inferior da porta do banheiro. Mas isso não é um problema.  

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O dia

O dia de estudo
Amanheceu garoando
E disse

Foi cinzento hoje
Porque antes fora colorido
E quente

O dia diz tudo
Mandou em mim
E fiz

domingo, 3 de novembro de 2013

Domingo

Todo domingo tem um jeito estranho de fim. Desde pequeno sinto isso. Estranho, porque o domingo na verdade é o começo da semana, uma renovação da rotina.

Não falo de um fim como o do Fantástico - que volta no domingo que vem. Falo de um fim de novela, um fim apocalíptico.

Apesar de parecer mórbido, não é tão ruim. Eu sei que amanhã tudo começa de novo - espero não estar enganado nesta noite.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Ela

Ela continua sendo ela. Mesmo que hoje acredite numa coisa nova e desacredite no que cria ontem. Tudo bem, ainda é jovem, mas mesmo com o peso dos dias a mais, seu rosto continua firme e bem desenhado. E o pior, ela sabe disso. E pior ainda, ela se aproveita disso.

Ainda que mais baixa, me olha em plongeé. É holofote que não me permite olhar para cima. Holofote ingrato! Transforma-me em ator principal de seu mais novo espetáculo, um monólogo meu sobre mim que ela ouve lá da única poltrona da plateia.  Ela não sabe de nada, mas do jeito que me olha, me faz contar tudo.

Verborrágico. Essencialmente prolixo e autocrítico. Discurso sem pé nem cabeça, com clímax no começo e fim entediante. Palavras apressadas para chegar logo no fim.

Agora entendo a plateia de um só.

Fim dos espetáculo! Nunca entendo porque ela apaga o holofote de maneira tão suave e acende de forma tão abrupta que me faz doer os olhos.

Quais motivos teria para voltar? Nenhum, se pensasse só em mim. Espera. Ela pensa em mim, também!


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Coisas que a gente se esquece de dizer



Olha lá o moleque descendo a ladeira! Vai descendo o morro, assim como o rio desce rumo ao mar. Mar que ele nunca sequer sonhou. Água só da lagoa, do rio, da represa e das chuvas de janeiro.

Te segura, menino! Ele passa rasgando, parece em fuga, nem olha para os lados. Qualquer dia estabaca a boca no paralelepípedo. Qualquer dia.

Ele não está em fuga, ele corre ao encontro. São quase cinco e já da pra ouvir o trem de longe. Para onde ele vai? Será que entra por algum buraco na mata? Impossível haver tanto trilho Minas a dentro! Qual é o tamanho de Minas? Deve ser muito grande. Grande mesmo.

Olha lá o trem indo! Vai correndo os trilhos, assim como o rio corre rumo ao mar. E tem muitos vagões. Mais do que os números que o moleque aprendeu a contar.

Quem já se acostumou ao aroma doce, sente bem o cheiro de sal que sai do atrito das rodas com o trilho. Deve ser do suor, conclui o pequeno. 
Capa do disco "Clube da Esquina", lançado em 1972.
Título do texto é a primeira estrofe da música "Trem azul", de Lô Borges, que faz parte do albúm.

domingo, 11 de agosto de 2013

Quando nos falamos

O all star furado dele estava com a sola tão gasta que ele sentia cada pequena curva dos paralelepípedos da praça Fernando Prestes. De repente começa a chover. Que estranho, nunca chove em agosto...

Ora, quem carrega guarda-chuva na bolsa em pleno mês seco? Ele era o único paulistano sem guarda-chuva na rua da Graça. E como molhavam aqueles pingos tímidos! Os cabelos, já molhados, não seguravam o aguaceiro que escorria pelo rosto. Parecia suor. Parecia choro. Ele apressava o passo, mas perdia velocidade desviando dos guarda-chuvas dos prevenidos.

Ele estava na fase da negação. Não admitia aquela chuva intrusa. O coração acelerava. Como entraria no trem todo molhado? Faltava pouco para as sete. Estava atrasado. A mente devia estar ali e estava, mas o coração, ah, o coração estava em outro lugar.

Na rua Três Rios ele parou no farol e custou a atravessar. Demorou tanto que aceitou. Habituou-se a tanta água.

A vida era um filme.

sábado, 3 de agosto de 2013

Longe

Nunca imaginei que eu fosse tão longe. Saí de São Paulo e fui até Salvador de carro e depois voltei, também de carro. Viagens de carro são sempre cansativas, ainda mais pra mim que tenho quase 1,90 de altura. Não é fácil passar horas sem poder esticar as pernas. Mas ao menos essas viagens nos presenteiam com surpresas interessantes nas paradas.

Em uma das pausas conhecemos Jequié, um simpático município do sudoeste baiano. Depois de almoçar, minha equipe foi fazer umas fotos perto da igreja central da cidade e lá, entre cliques e "boa tardes" - uma das coisas que mais fiz nessa viagem foi distribuir saudações, as pessoas respondiam, olhavam no olho - paramos pra conversar com Consuelo, uma simpática senhora de uns 60 e poucos anos. Revendia Avon e estava cobrando o pagamento por uns produtos que o rapaz das fotografias havia comprado.

Nos apresentamos, falamos que íamos pra Salvador gravar um documentário e sem titubear, dona Consuelo pediu pra que eu fizesse uma foto dela. Achei o pedido engraçado, mas fiz a foto. Rapidamente ele se posicionou e arrastou o fotógrafo da praça e um outro rapaz que estava perto. Eles estavam tímidos, não sabiam fazer pose. Lembrei da infância, quando minha mãe tirava fotos minhas e eu sempre ficava retinho, com os braços esticados. Mais um pouco, bateria continência.

Sem que percebesse fiz fotos dela, apenas. E mais uma vez, sem pensar muito, como se fosse a única oportunidade, Consuelo lança outro pedido. Queria que o Luciano Huck fosse reformar a casa dela!

Uma sensação estranha tomou conta de mim. Uma mistura de dó e desconforto. Primeiro porque eu estava com uma câmera tão cara e chamativa nas mãos, tirando fotos no mesmo local onde um cidadão ganhava a vida fazendo fotografias, ainda no modo analógico. E depois, porque eu não poderia levar o pedido de dona Consuelo até o Luciano Huck.

E como se não bastasse toda aquela tortura interna, a revendedora da Avon me lança mais uma: Você me manda essa foto? Me passou o nome completo e o endereço.

Ainda não mandei a primeira carta da minha vida. Em breve mandarei.

E quando pensei que novos momentos desconfortantes não aconteceriam, sou pego de surpresa, já no trecho final da viagem, na cidade do Rio de Janeiro. Eu tinha acordado cedo naquele dia. E estava lá, sentando em um dos degraus de um monumento, esperando a passagem do Papa Francisco e sondando alguém pra pegar alguma sonora.

Um senhor estava putíssimo com o tal monumento que a prefeitura do Rio colocou na rotatória da avenida Pedro 2º, em São Cristovão, na zona norte da cidade. Ele estava tão revoltado que lançava muitos perdigotos. No microfone, em mim, no meu olho. Sim, foi horrível.

Segundo ele, o presente dado pelo então presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, deveria ser instalado em algum bairro nobre, que não me recordo agora, mas "foi escondido em São Cristovão, por ser muito feio". No seu longo e molhado discurso, ele falou também sobre a estupidez dos governantes do Rio por terem escolhido Guaratiba para a realização da missa de envio da Jornada Mundial da Juventude.

Aquilo renderia uma pauta. Uma reportagem para o RJTV, quem sabe. Ou talvez não rendesse nada. E mesmo assim, mais uma vez eu me senti incapaz. O máximo que eu poderia fazer, era colocar aquela sonora no You Tube. Coisa que aquele senhor mesmo poderia fazer.

Foi aí que vi que eu não tinha chegado longe demais. Ainda falta, e muito, pra eu chegar lá nesse tal de longe. Estou a caminho!



quinta-feira, 20 de junho de 2013

E se?

Derrubem o satélite sentimental que rotaciona os corações apaixonados! Nenhuma forma de paixão é válida se não tiver vergonha de olhar no olho. Nada se compara ao constrangimento causado pelos hiatos durante uma conversa. As atitudes premeditadas cheias de terceiras intenções, os flertes escancarados e vergonhosos.

E se você fosse no portão e fizesse uma serenata? E se fosse esperar na porta da faculdade? Já pensou em aparecer na igreja no domingo, mesmo sem ter uma religião? Já passou pela sua cabeça passar mais de dez horas em um ônibus e não ter certeza se teria alguém te esperando?

Já pensou que fracasso seria fracassar? Se expor, gastar dinheiro, gastar tempo só pra se constranger. Pagar mico. Fazer um papelão!

Mas...

E se a serenata saísse afinada? E depois chovesse?

E se rolasse um beijo daqueles de cinema e todo mundo da faculdade aplaudisse, e o trânsito parasse e uma grua fizesse um close do beijo e depois se distanciasse? Todos em volta, batendo palma, emocionados.

E se ela olhasse pra traz e visse você, todo sem jeito e perdido, sentado lá no fundo da igreja? E se ela sorrisse e quando voltasse a olhar pra frente ficasse com as bochechas quase em chamas de tão vermelhas? E se ela também achasse a igreja uma chatice?

E se a estrada até a cidade dele fosse o percurso mais bonito que você já fez na vida? E se fosse verão e quando você chegasse o chão de paralelepípedos estivesse molhado e estivesse tão quente que sua pele se arrepiasse? E se ele estive lá, te esperando há horas, com as flores mais lindas que teu olho já viu?

E se você tentasse?


domingo, 2 de junho de 2013

AMOR CAPITALISTA



Um domingo de trabalho tem o mesmo valor que um domingo de puro ócio, desde que sejam alternados. Uma espécie de compensação.  Claro que isso é muito particular, vai de pessoa pra pessoa. É como acordar cedo. Uns amam, outros odeiam. Tirar da cama às 5h alguém que vai dormir às 3h, pode ser ato grandioso, de muito valor. Já alguém que vai dormir depois do jornal, acordar cedo é tão normal quanto andar pra frente. Sem valor algum. Entende como é relativo?

Insisto em colocar valor nos sentimentos. Um beijo custa quanto? Mil reais? E um “coraçãozinho” na foto do Instagram? Dez centavos? Pra quem? Pra mim. E pra você, quanto vale?
Tá, nem vou falar de amor, é sacanagem querer colocar preço em algo tão nobre. Quanto vale seu tempo, então? 

Poderia existir um combinado. Tipo uma cotação, sei lá, algo do tipo. É muita sacanagem dar um tempo que custa tão caro, enquanto devolvem um valor tão ínfimo e ainda pagam parcelado, sem o menor cuidado.
Uma chuva pra dois/Tarde de Dezembro

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Augusto da Barra Funda

"Porra, mas ninguém sabe andar nessa cidade?" é o que pensa Augusto quando pedem informações pra ele. Mesmo não dizendo, ele deixa claro que está puto. Faz uma cara feia e fala com a boca quase fechada. Se o pobre ouvinte diz "o quê?" pronto, Augusto vira uma fera!

José Augusto Monteiro é um jornaleiro de sessenta e quatro anos que trabalha há pelos menos trinta numa banca na Barra Funda. É daqueles que gostava da ditadura e que não acredita em sorte, segue uma religião por medo e acredita em tudo o que sai no jornal.

Augusto cresceu junto com a Barra Funda, viu tudo se transformar.

As pessoas não compram mais jornal, nem revista de mulher pelada. Há tempos que as vendas estão ruins. Quando alguém se aproxima da banca, das duas, uma: ou vai comprar chiclete ou pedir informação.

Na verdade Augusto está cansado. Ele tem é vontade de chorar.

Mas nem tudo está perdido. Augusto leu no jornal - naquele qualquer, aquele que ninguém compra - que estudar um idioma vai ser um bom negócio com todo esse papo de Copa do Mundo no ano que vem.

O velho pegou as revistinhas de idiomas da banca e começou a estudar, virou bilíngue. Em 2014, Augusto vai resmungar em inglês.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Obrigado

Quero agradecer pela vida das flores! Das mais perfumadas as mais bonitas. Meu agradecimento vai também para as flores de apartamento e para aquelas que estão lá no meio da mata, tomando chuva, aquelas que têm gotinhas de orvalho pela manhã.

Agradeço pela vida das flores que são presenteadas. Mesmo estando mortas, elas ainda têm uma aura que só se encontra nelas. Essas flores perdoam, pedem em casamento, sepultam.

Tem até flor que canta! E a essa eu agradeço muito.

Gostaria de agradecer pela vida, talvez não tão boa, das flores que nascem no lixão. Flores que têm seu perfume encoberto pelo odor dos meus detritos.

Obrigado por também despetalarem-se.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Como ser um jovem de 2013


ATENÇÃO: Este post tem o intuito de entreter, fazer com que a gente possa dar risada de nós mesmos, dos nossos modismos, hábitos etc. Eu também faço muitas dessas coisas. Amo meus amigos que estão descritos aqui. Lembrem-se que o blog se chama "Cotidiano Reflexivo" e que fique claro que a Fanie Brunhoroto enumerou algumas caracterísiticas que eu não havia me lembrado.


Discorde de tudo. Mesmo que você concorde.

Fale mal das crocs, mas use em casa, escondido de tudo e de todos.

Use sneaker. Mesmo existindo tênis convencionais e sapatos de salto alto. As pessoas gostam de mistura de coisas. Dois em um.

Use alargador. Choque a sociedade usando um de 40 cm ou use um de 0,0000001 cm só pra dizer que usa alargador.

Por falar em sociedade, use sempre, em qualquer conversa mais cabeça, o termo sociedade. Culpe a sociedade e acredite que a sociedade são sempre os outros.

Critique o futebol e quem gosta de futebol.

Se gostar de futebol, torça por um time bem desconhecido, como o Operário do Mato Grosso do Sul, por exemplo.

Se criticar o futebol, use sempre o termo “alienados”.

Se juntar “sociedade” + “alienação”, pronto, perfeito! Diga sempre, a todo o momento, aos quatro ventos: A SOCIEDADE É ALIENADA!

Assista ao documentário “Além do Cidadão Kane” e revolte-se com a Globo e diga nas redes sociais que a sociedade é manipulada pela mídia.

Mas assista ao programa do Jô Soares. Tem “cultura”.

Pareça ser gay, mas pegue geral.

40% das mulheres não saber usar blush.

A cada 10 mulheres, 9 estão usando aquelas sapatilhas. E dessas 9, ao menos 5 tem aquele bandeide no calcanhar. Se são tão desconfortáveis, porque usam?

40% dos homens usam aquele corte de cabelo em que se raspa tudo e fica um pouco de cabelo (com um grande e estiloso topete) na parte de cima do coco. 35% usam cortes convencionais por causa do emprego ou por falta de coragem. Os 25% restantes são funkeiros. A variação dos cortes baseia-se numa escala que vai de luzes ao ridículo extremo, passando pelo corte atual do Neymar. (Que independentemente do tempo será sempre ridículo.)

Barba! Ah, as barbas... Tenha uma! Cheia, ralinha, aparada, por fazer, não importa. O importante é ter.

Tenha uma aliança de prata na mão direita. Não importa se você namora há anos ou achou no pacote de balas. Dá pra formar casais aleatóriamente, em qualquer lugar se levar em conta a aliança.

Vá a festas e tire uma foto segurando um copo plástico. Nem precisa ter bebida alcoólica dentro. Se for daqueles que tem em festas de filmes americanos, melhor! E claro, poste a foto no "feice". Se for pelo instagram, maravilha!

Coloque um piercing em qualquer parte do corpo. Quanto mais exótico, melhor.

Meninas: Tatuem a coxa ou a batata da perna.

Meninos: Tatuem carpas.

Poste fotos de comida, de pets e de cidades no Instagram.

No Facebook poste frases de autoajuda e da Clarice Lispector (mesmo que não sejam dela)

No Twitter jogue indiretas ou pense em qualquer coisa que caiba em 140 caracteres e renda um RT.

Use óculos de grau. Mesmo que você não precise. Se for retrô, então, melhor ainda.

Se for de sol, que seja um Ray Ban new age preto.

As pessoas amam bacon. Mesmo sendo só bacon. Ame-o

Meninas: choquem a sociedade e raspem um dos lados da cabeça. Sidecut é o nome disso.

Use dread. Mesmo que seja um só.

Insinue que você usa maconha.

Acompanhe alguma série de TV. 

Use xadrez. Qualquer peça de roupa.

Floral também. Tanto homem quanto mulher.

Meninas: pintem a unha do dedo anelar com uma cor diferente de todas as outras. É a tal da filha única.

50% das pessoas leem “50 Tons de Cinza”. 20% leem “A Grande Esperança”. Outros 20% leem os livros da faculdade. Os outros 10% são os homens que leem “50 Tons de Cinza” escondidos.

Ou o celular é Samsung ou é iPhone.

Claro, coloque no seu celular uma case. Das mais sutis às mais bizarras, como aquelas com quase o triplo do tamanho do seu (nada singelo) telefone celular.

E por último, mas não menos importante: ter um tumblr ou blog furreca que ninguém lê! 

foto aleatória do meu pé e do pé da Fanie, em um dia qualquer, com a cidade ao fundo, sem significado algum, mas com filtro de Instagram.