Ela continua sendo ela. Mesmo que hoje acredite numa coisa nova e desacredite no que cria ontem. Tudo bem, ainda é jovem, mas mesmo com o peso dos dias a mais, seu rosto continua firme e bem desenhado. E o pior, ela sabe disso. E pior ainda, ela se aproveita disso.
Ainda que mais baixa, me olha em plongeé. É holofote que não me permite olhar para cima. Holofote ingrato! Transforma-me em ator principal de seu mais novo espetáculo, um monólogo meu sobre mim que ela ouve lá da única poltrona da plateia. Ela não sabe de nada, mas do jeito que me olha, me faz contar tudo.
Verborrágico. Essencialmente prolixo e autocrítico. Discurso sem pé nem cabeça, com clímax no começo e fim entediante. Palavras apressadas para chegar logo no fim.
Agora entendo a plateia de um só.
Fim dos espetáculo! Nunca entendo porque ela apaga o holofote de maneira tão suave e acende de forma tão abrupta que me faz doer os olhos.
Quais motivos teria para voltar? Nenhum, se pensasse só em mim. Espera. Ela pensa em mim, também!
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