"Porra, mas ninguém sabe andar nessa cidade?" é o que pensa Augusto quando pedem informações pra ele. Mesmo não dizendo, ele deixa claro que está puto. Faz uma cara feia e fala com a boca quase fechada. Se o pobre ouvinte diz "o quê?" pronto, Augusto vira uma fera!
José Augusto Monteiro é um jornaleiro de sessenta e quatro anos que trabalha há pelos menos trinta numa banca na Barra Funda. É daqueles que gostava da ditadura e que não acredita em sorte, segue uma religião por medo e acredita em tudo o que sai no jornal.
Augusto cresceu junto com a Barra Funda, viu tudo se transformar.
As pessoas não compram mais jornal, nem revista de mulher pelada. Há tempos que as vendas estão ruins. Quando alguém se aproxima da banca, das duas, uma: ou vai comprar chiclete ou pedir informação.
Na verdade Augusto está cansado. Ele tem é vontade de chorar.
Mas nem tudo está perdido. Augusto leu no jornal - naquele qualquer, aquele que ninguém compra - que estudar um idioma vai ser um bom negócio com todo esse papo de Copa do Mundo no ano que vem.
O velho pegou as revistinhas de idiomas da banca e começou a estudar, virou bilíngue. Em 2014, Augusto vai resmungar em inglês.

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