Já parou pra pensar como é maluco é utilizar o transporte público
e encontrar as mesmas pessoas diariamente, e nem ao menos saber o nome delas? Dá
pra acompanhar as mudanças de cabelo, os dias em que a pessoa está mais bonita,
mais triste e dá pra notar, principalmente, quando essa pessoa não está. Aqui
em São Paulo tem muito disso. Aqui, nessa cidade enorme todos estão sempre
atrasados e atrasados juntos, atrasados no mesmo horário.
Todo dia tem uma garota que entra na estação Faria Lima, e
eu, que enfrentei os milhares de degraus da estação Pinheiros, já estou no
metrô. Ela é linda. Tem cabelos castanhos, é alta, um rosto limpo, sem essas
bobagens de maquiagem. Tem um piercing de argola no nariz. Uma franja lisa que
insiste em cair no rosto com os solavancos do metrô e o resto do cabelo é todo
ondulado, na altura dos ombros. Apesar da altura e da postura séria, não deve
ter dezoito anos ainda.
A distância da Faria Lima até a Paulista que às vezes dura uma
eternidade, passa rápido e aí vem a tensão. A voz anuncia: Estação Paulista,
acesso à linha 2 – Verde do Metrô. Alguns se levantam, outros vão pra perto da
porta e eu fecho meu livro, respiro fundo. Ela vira em direção à porta. O metrô
para. Segundos de silêncio e tensão, a porta de vidro se abre, primeiro sinal
sonoro. A porta do metrô se abre, segundo sinal sonoro. Todos descem, a
plataforma é pequena demais, tem gente demais. E onde ela está? Já está lá em
cima, subiu quase todos os degraus da escada e foi embora, não sei se pra Linha
Verde ou pra Consolação.

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