Derrubem o satélite sentimental que rotaciona os corações apaixonados! Nenhuma forma de paixão é válida se não tiver vergonha de olhar no olho. Nada se compara ao constrangimento causado pelos hiatos durante uma conversa. As atitudes premeditadas cheias de terceiras intenções, os flertes escancarados e vergonhosos.
E se você fosse no portão e fizesse uma serenata? E se fosse esperar na porta da faculdade? Já pensou em aparecer na igreja no domingo, mesmo sem ter uma religião? Já passou pela sua cabeça passar mais de dez horas em um ônibus e não ter certeza se teria alguém te esperando?
Já pensou que fracasso seria fracassar? Se expor, gastar dinheiro, gastar tempo só pra se constranger. Pagar mico. Fazer um papelão!
Mas...
E se a serenata saísse afinada? E depois chovesse?
E se rolasse um beijo daqueles de cinema e todo mundo da faculdade aplaudisse, e o trânsito parasse e uma grua fizesse um close do beijo e depois se distanciasse? Todos em volta, batendo palma, emocionados.
E se ela olhasse pra traz e visse você, todo sem jeito e perdido, sentado lá no fundo da igreja? E se ela sorrisse e quando voltasse a olhar pra frente ficasse com as bochechas quase em chamas de tão vermelhas? E se ela também achasse a igreja uma chatice?
E se a estrada até a cidade dele fosse o percurso mais bonito que você já fez na vida? E se fosse verão e quando você chegasse o chão de paralelepípedos estivesse molhado e estivesse tão quente que sua pele se arrepiasse? E se ele estive lá, te esperando há horas, com as flores mais lindas que teu olho já viu?
E se você tentasse?

É isso aí. Atitude é tudo. "Se você tentasse?"
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