quinta-feira, 20 de junho de 2013

E se?

Derrubem o satélite sentimental que rotaciona os corações apaixonados! Nenhuma forma de paixão é válida se não tiver vergonha de olhar no olho. Nada se compara ao constrangimento causado pelos hiatos durante uma conversa. As atitudes premeditadas cheias de terceiras intenções, os flertes escancarados e vergonhosos.

E se você fosse no portão e fizesse uma serenata? E se fosse esperar na porta da faculdade? Já pensou em aparecer na igreja no domingo, mesmo sem ter uma religião? Já passou pela sua cabeça passar mais de dez horas em um ônibus e não ter certeza se teria alguém te esperando?

Já pensou que fracasso seria fracassar? Se expor, gastar dinheiro, gastar tempo só pra se constranger. Pagar mico. Fazer um papelão!

Mas...

E se a serenata saísse afinada? E depois chovesse?

E se rolasse um beijo daqueles de cinema e todo mundo da faculdade aplaudisse, e o trânsito parasse e uma grua fizesse um close do beijo e depois se distanciasse? Todos em volta, batendo palma, emocionados.

E se ela olhasse pra traz e visse você, todo sem jeito e perdido, sentado lá no fundo da igreja? E se ela sorrisse e quando voltasse a olhar pra frente ficasse com as bochechas quase em chamas de tão vermelhas? E se ela também achasse a igreja uma chatice?

E se a estrada até a cidade dele fosse o percurso mais bonito que você já fez na vida? E se fosse verão e quando você chegasse o chão de paralelepípedos estivesse molhado e estivesse tão quente que sua pele se arrepiasse? E se ele estive lá, te esperando há horas, com as flores mais lindas que teu olho já viu?

E se você tentasse?


domingo, 2 de junho de 2013

AMOR CAPITALISTA



Um domingo de trabalho tem o mesmo valor que um domingo de puro ócio, desde que sejam alternados. Uma espécie de compensação.  Claro que isso é muito particular, vai de pessoa pra pessoa. É como acordar cedo. Uns amam, outros odeiam. Tirar da cama às 5h alguém que vai dormir às 3h, pode ser ato grandioso, de muito valor. Já alguém que vai dormir depois do jornal, acordar cedo é tão normal quanto andar pra frente. Sem valor algum. Entende como é relativo?

Insisto em colocar valor nos sentimentos. Um beijo custa quanto? Mil reais? E um “coraçãozinho” na foto do Instagram? Dez centavos? Pra quem? Pra mim. E pra você, quanto vale?
Tá, nem vou falar de amor, é sacanagem querer colocar preço em algo tão nobre. Quanto vale seu tempo, então? 

Poderia existir um combinado. Tipo uma cotação, sei lá, algo do tipo. É muita sacanagem dar um tempo que custa tão caro, enquanto devolvem um valor tão ínfimo e ainda pagam parcelado, sem o menor cuidado.
Uma chuva pra dois/Tarde de Dezembro